A verdadeira estória do tapete.

por utimura.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Finado Exausto.

Essa estória eu não presenciei, então não posso afirmar que seja verdadeira, quem me contou jura que aconteceu. Estavam filmando no cemitério da Consolação em São Paulo. O produtor que havia passado a noite toda produzindo, aproveitou enquanto a equipe estava toda concentrada trabalhando e se deitou em cima de um jazigo. Ele caiu num sono tão profundo que começou atrapalhar a filmagem com seu ronco. O pessoal da equipe, delicadamente o amarrou à tumba e esperavam, que mais cedo ou mais tarde, ele acordasse. Cena pra lá, cena pra cá, equipamento recolhido e todos foram embora! O coveiro, que estava de plantão, quase morre de susto ao ouvir os berros vindo de algum lugar no meio da escuridão. Dizem que esse produtor, morre de medo de escuro até hoje.
Se foi verdade ou não, gerou muita risada e gozação no meio do pessoal de produção.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Vingança terrível.

É quase inacreditável, mas é verídica. Eu participava de uma filmagem em que, um mal resolvido cliente, tornou nossa filmagem num verdadeiro inferno. O cara implicava com tudo, até com a alimentação do set! Foram 3 dias de pura agonia, nada estava bom. Meu pessoal da pesada, só acumulando e aguardando a hora da vingança. Eis que essa hora chegou. O chato, depois de mais um dia de filmagem, entrou no banheiro químico. Foi sua sentença, o pessoal amarrou a porta da cabine e por várias vezes rodopiaram e rodopiaram o banheiro no chão. Imaginem a bagunça que deve ter ficado, depois de um dia inteiro de filmagem...Cheguei a ficar com dó do cara, mas passou rapidinho.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Chocalho de cascavel.

Um grande amigo, técnico de som, foi quem me contou esse causo. Ele foi chamado para captar o som direto de um comercial, até aí nada de especial. O problema é que o produtor disse, que no final da filmagem, ele deveria captar o som do chocalho de uma cascavel. Apesar do medo, ele não se abalou, olhou a caixa onde estaria a cobra e ficou pensando a forma mais segura para trabalhar. Final do dia, o produtor pediu que gravasse no dia seguinte, pois havia muitas outras cenas a serem feitas. Foi a noite toda angustiado, só pensando que uma hora teria que enfrentar esse desafio. No dia seguinte, a hora chegou. Ele me disse que estava tremendo em frente da caixa, microfone em punho, gravador e o fone de ouvido, só esperando que abrissem um pouco para que o guizo fosse gravado. Assim que a tampa foi aberta, uma cobra pulou na direção do coitado. Foi a última coisa que ele viu antes de desmaiar. A cobra não passava de uma mola recoberta de pano, bem mal feita aliás, mas a imaginação curtida na espera fez o resto.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Revoada dos pombos.

Centro de SP, Páteo do colégio. Era uma filmagem grande, lançamento de um novo carro, por onde ele passava, deixava um rastro de vento que beirava um vendaval. Minha função era justamente o vendaval. Levei uma máquina de vento e aguardava minha vez. Antes disso o diretor queria fazer uma cena simples. Uma revoada de pombos. Chegou o adestrador de animais para filmagem com uma gaiola enorme, devia ter uns 50 pombos e segundo ele, todos treinados. A gaiola era na verdade uma grande caixa que se abria pela lateral. Posicionaram a caixa para liberar os pombos no local certo enquanto a câmera era preparada. Assim que abriram a caixa, os pombos fizeram aquilo que eles foram ensinados… Pela mãe natureza, não pelo treinador e simplesmente foram embora! Sem esperar pelo “AÇÃO”. Não vou esquecer a cara de interrogação do treinador de pombos e de todos da equipe. A sorte foi que alguém pegou uma lata de negativo vazia, encheu de pregos e fez um chocalho. Não sei onde ele aprendeu o truque, mas funcionou. Outros pombos da região mesmo, foram chegando e pousaram esperando comida. Rodamos a câmera e com uma buzinada, eles saiam voando. Ufa. Salvos pelos nativos.

Brincadeira perigosa.

Antigamente, as garrafas pet vinham com uma base preta feita de um plástico mais duro, era uma sapata colada para mante-las em pé.
Estávamos no intervalo do almoço de uma filmagem no estacionamento do estúdio, quando um espertinho resolveu fazer uma brincadeira bem perigosa. O sujeito colocou um pedra de gelo seco dentro de uma garrafa pet de dois litros, um pouco de água e rosqueou a tampa. Como se não bastasse essa loucura, ele juntou outros caras e ficavam jogando a garrafa-bomba, de mão em mão. Não deu outra, após alguns arremessos, a garrafa explodiu.
Por sorte a explosão aconteceu no ar e não nas mãos de alguém, o problema é que, com a explosão, a sapata descolou da base e acertou em cheio a testa de um dos suicídas, o cara ficou com a testa estampada o resto do dia. Muita preocupação no começo e gargalhadas no final.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Uma fria no nordeste.

Quando eu ainda fazia efeitos especiais, fui contratado por uma produção francesa para fazer chover numa praia do nordeste. Nada anormal, peguei meus 500 kilos de equipamento entre válvulas, canos, mangueiras e splinters... E lá fui eu fazer chover. O produtor gostou muito dos dois primeiros dias de chuva e me alertou que começaríamos a terceira diária, bem cedinho. O plano seria um close no rosto do ator sentindo as primeiras gotas de chuva. Eu fui pego de surpresa, pois não fui avisado e o equipamento que levei, ou chove ou não chove, não tem comecinho! O produtor falou todo seguro que havia trazido algo para realizar a cena. Pasmem, o cara tirou de um envelope 20 conta-gotas de uns trinta centímetros cada um. Educadamente fui testar e até ele percebeu que não daria certo. Primeiro, o troço não gotejava e sim esguichava pequenos mijos de água. Segundo, como o sol bateria no rosto do ator, com 20 braços segurando os 20 conta-gotas acima de sua cabeça? Prometi uma solução melhor e na volta para o hotel fui caminhando pela praia pensando... Foi quando eu vi um galinheiro abandonado, na hora tive um estálo, peguei um pedaço da tela do galinheiro prendi em dois pedaços de madeira e fiz uma espécie de sacola. No dia seguinte, bem cedo, já fazia um calor arretado, eu coloquei umas pedras grandes de gelo na minha sacola de tela de galinheiro, subi numa mesa e esperava o comando do diretor para colocar minha chuva artificial acima do rosto do ator. As gotas eram aleatórias, como deveriam ser e a temperatura gelada ajudava o ator a fazer aquela cara de frescor. Foi com gelo que saí dessa fria. Até fotos os gringos tiraram.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bomba-relógio.

Existia uma brincadeira de muito mal gosto durante as filmagens que varavam as madrugadas. O engraçadinho passava um pouco de batom vermelho na maçaneta do banheiro masculino. Os pobres incautos não percebiam e sujavam suas mãos ao abrir a porta, inevitavelmente, sujavam a cueca. Pronto! Um simples xixizinho acabara de virar um bomba-relógio. Como explicar a mancha de batom na cueca? Toda vez que posso, eu conto esse causo, especialmente se minha mulher está por perto. Assim, se algum dia, eu chegar de madrugada com a cueca manchada de batom, nem preciso explicar. Foi a maçaneta.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Siri ladrão.

Estúdio da Lynxfilm, Bexiga, SP. Filmagem de um novo shampoo de algas marinhas, foi feito um cenário que reproduzia o fundo do mar. A produção chegou cedo com algumas pedras , algas e uma fieira de siris quase mortos. Montamos e iluminamos o cenário que foi preenchido com água da torneira mesmo. Depois de muito trabalho, eu notei que as algas estavam diminuindo de quantidade e de madrugada eu achei um siri sobrevivente que tranquilamente comia as algas ignorando ser a água doce e clorada!
Peguei o ladrão amarrei um fio de nylon e ele acabou participando da cena final do pack shot. Ele cruzava o quadro alegre e saltitande dando maior realismo ao nosso fundo do mar cenografado.
Dizem as más línguas que esse siri e todos os outros acabaram participando de uma caranguejada, mas isso é outra história.

domingo, 1 de maio de 2011

A corrida do sheep dog.

Praça Buenos Aires SP, um comercial de amortecedor de carro. Eu e meu pai preparamos dois carrinhos de rolemã com controle remoto para filmar uma perseguição entre um sheep dog e um dachshund (mais conhecido como salsicha). Havia uma cena em que o pequeno cão fazia uma curva fechada e o sheep dog, que perdia o controle nessa curva, voava até cair numa fonte de água. Dia normal no mundo da produção publicitária. Havia um treinador, dois sheep dogs e um anão. Isso mesmo, um anão.
Foi jogado o cachorro 1, o cachorro 2 e o anão foi vestido com uma fantasia de cachorro para ser jogado na fonte. O problema é que o anão não era muito corajoso e o pessoal da equipe começou a brincar com ele, colocando medo ao dizer que ele não conseguiria respirar com a fantasia molhada. A cabeça era costurada ao corpo e o anão não enxergava nada. Todos prontos e AÇÃO! Lá se foi o anão pelos ares... Foi impressionante. Ele mal tocou a água e saiu correndo apoiado nas patas, digo pernas e com os bracinhos agitados para cima. É claro que a cena foi para o lixo mas a lembrança me faz rir até hoje.
Quem quiser conferir o comercial pronto, acesse:
http://www.youtube.com/watch?v=ZDp1eV9J7O0&feature=related

sábado, 30 de abril de 2011

Orelha de burro.

Dois homens conversam andando pelo aeroporto, um deles fala das inúmeras vantagens que a companhia aérea que ele escolheu, lhe dá. O outro escuta a tudo com uma cara de arrependido e para surpresa de todos, as suas orelhas crescem e ao final, ele tem um belo par de orelhas de burro. Como fazer esse efeito sem os computadores? Meu pai resolveu com um par de cabos de aço, daqueles usados em freios de bicicleta e revestiu com uma meia de seda feminina. Ele andava junto com os atores, escondido atrás deles e aos poucos ele empurrava os cabos fazendo as "orelhas" crescerem. O mais incrível foi que em um dos takes, uma mosca pousou na orelha. O meu pai nem pestanejou, deu uma balançada na orelha, espantando a mosca e tornando a cena ainda mais incrível.

O mundo é cheio de possibilidades!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A troca do coelho por lebre.

Aconteceu numa filmagem para a Páscoa no RJ. Eu tinha uma cena em que a Xuxa, vestida de mágica, colocava uma cartola em cima de uma mesinha e dela tirava um coelho. Simples assim. Eu preparei um fundo falso da cartola e um mini elevador para que ela não precisasse enfiar o braço todo e pegar o coelho. Tudo pronto, chegou o Professor Jairo, adestrador de animais com seu coelho. O problema é que o coelhinho parecia um cachorro de tão grande!!!
"PROFESSOR JAIRO, POR QUE UM COELHO TÃO GRANDE?"
"Precisa ser adulto para aceitar o adestramento.
"QUE ADESTRAMENTO? ELE SÓ TEM QUE SAIR DA CARTOLA!!!"
Não adiantou nada minha reclamação, afinal só tinha essa Lebre gigante e o horário da Xuxa.
Resultado, desmontei o elevador e ao comando do diretor: AÇÃO! Eu empurrava aquilo que parecia uma perna de carneiro cartola acima. A Xuxa, pobrezinha, tinha quase que esticar o braço todo para o infeliz sair todo da cartola... Por essas e outras que deixei os efeitos e fui para a direção de cena.

Comentário infeliz.

Na época eu trabalhava com efeitos especiais e preparei uma traquitana muito engenhosa para minha querida diretora e amiga Paula Trabulsi. Tratava-se de um achocolatado, que seria vendido em embalagem tetrapack (novidade naqueles dias) e a cena que fechava o comercial era de uma embalagem nova ao lado de um copo de milk shake. Da embalagem tetrapack saia um canudinho que entrava no copo do milk shake e "sugava" aos goles o líquido e a cada gole a embalagem estufava e voltava ao formato original, como se estivesse tomando mesmo o milk-shake. Foi preciso fazer a caixinha do achocolatado em latex e o rótulo silkado em tecido de lycra para deformar e voltar ao normal, não tinha computação gráfica naquela época. Embaixo da mesa, no meio de mangueiras, válvulas e fios de nylon eu comandava os movimentos. Depois de muitas hoars de trabalho, o resultado ficou muito bom.
Na apresentação do filme, me disseram que foi um sucesso, todos gostaram. Já estava naquela etapa do tapinha nas costas e despedidas, quando um fulano levanta uma dúvida:
"Pessoal, quando uma embalagem tetrapack estufa, não é quando o líquido está estragado?"
Resultado: Nunca vi no ar o pack-shot em movimento, apenas aquela imagem estática da caixinha ao lado de um copo de milk shake sujo e vazio.

A verdadeira história do tapete.

Essa é a verdadeira história do tapete que presenciei quando eu ainda era muito jovem, já virou folclórica no mercado publicitário. Meu pai, Domingos Utimura, o primeiro técnico de efeitos especiais do Brasil, estava em casa quando ligaram de uma produtora desesperados, pois não conseguiam filmar um comercial para os Tapetes Tabacow. O filme era de um tapete que desenrolava sozinho numa sala, durante o desenrolar, ouvia-se uma locução que descrevia as qualidades deste produto, ao terminar a locução, a câmera revelava que o locutor é que estava enrolado no tapete durante todo o tempo. O grande problema é que ao desenrolar, o tapete deixava ondulações no chão pois o ator, com a ajuda de alguns fios de nylon tentava sem sucesso sair do mesmo. Nessa época nem se sonhava com a computação gráfica. Após muitas tentativas, eles desistiram e chamaram meu pai. Ele foi, viu o problema e disse:
"TEM UM JEITO DE FAZER."
"Como?" Perguntou o produtor e meu pai soltou a frase que marcou aquele episódio:
"FALAR EU NÃO FALO, EU FAÇO."
Após fechar o valor do cachet, dizem as más linguas que sempre era bem salgado, ele deu a solução:
"INCLINEM O CENÁRIO TODO E A CÂMERA TAMBÉM, PARA QUEM FOR VER O FILME, TUDO VAI ESTAR RETO, BASTA SIMPLESMENTE DEIXAR O TAPETE DESENROLAR PELA PRÓPRIA INCLINAÇÃO."
"Genial!" Exclamou o produtor, pode fazer.
"EU FAÇO EFEITOS ESPECIAIS, NÃO SOU CENOTÉCNICO." Foi embora e mandou a nota fiscal do job.