A verdadeira estória do tapete.

por utimura.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Uma fria no nordeste.

Quando eu ainda fazia efeitos especiais, fui contratado por uma produção francesa para fazer chover numa praia do nordeste. Nada anormal, peguei meus 500 kilos de equipamento entre válvulas, canos, mangueiras e splinters... E lá fui eu fazer chover. O produtor gostou muito dos dois primeiros dias de chuva e me alertou que começaríamos a terceira diária, bem cedinho. O plano seria um close no rosto do ator sentindo as primeiras gotas de chuva. Eu fui pego de surpresa, pois não fui avisado e o equipamento que levei, ou chove ou não chove, não tem comecinho! O produtor falou todo seguro que havia trazido algo para realizar a cena. Pasmem, o cara tirou de um envelope 20 conta-gotas de uns trinta centímetros cada um. Educadamente fui testar e até ele percebeu que não daria certo. Primeiro, o troço não gotejava e sim esguichava pequenos mijos de água. Segundo, como o sol bateria no rosto do ator, com 20 braços segurando os 20 conta-gotas acima de sua cabeça? Prometi uma solução melhor e na volta para o hotel fui caminhando pela praia pensando... Foi quando eu vi um galinheiro abandonado, na hora tive um estálo, peguei um pedaço da tela do galinheiro prendi em dois pedaços de madeira e fiz uma espécie de sacola. No dia seguinte, bem cedo, já fazia um calor arretado, eu coloquei umas pedras grandes de gelo na minha sacola de tela de galinheiro, subi numa mesa e esperava o comando do diretor para colocar minha chuva artificial acima do rosto do ator. As gotas eram aleatórias, como deveriam ser e a temperatura gelada ajudava o ator a fazer aquela cara de frescor. Foi com gelo que saí dessa fria. Até fotos os gringos tiraram.

Nenhum comentário:

Postar um comentário