A verdadeira estória do tapete.
por utimura.
sábado, 30 de abril de 2011
Orelha de burro.
Dois homens conversam andando pelo aeroporto, um deles fala das inúmeras vantagens que a companhia aérea que ele escolheu, lhe dá. O outro escuta a tudo com uma cara de arrependido e para surpresa de todos, as suas orelhas crescem e ao final, ele tem um belo par de orelhas de burro. Como fazer esse efeito sem os computadores? Meu pai resolveu com um par de cabos de aço, daqueles usados em freios de bicicleta e revestiu com uma meia de seda feminina. Ele andava junto com os atores, escondido atrás deles e aos poucos ele empurrava os cabos fazendo as "orelhas" crescerem. O mais incrível foi que em um dos takes, uma mosca pousou na orelha. O meu pai nem pestanejou, deu uma balançada na orelha, espantando a mosca e tornando a cena ainda mais incrível.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
A troca do coelho por lebre.
Aconteceu numa filmagem para a Páscoa no RJ. Eu tinha uma cena em que a Xuxa, vestida de mágica, colocava uma cartola em cima de uma mesinha e dela tirava um coelho. Simples assim. Eu preparei um fundo falso da cartola e um mini elevador para que ela não precisasse enfiar o braço todo e pegar o coelho. Tudo pronto, chegou o Professor Jairo, adestrador de animais com seu coelho. O problema é que o coelhinho parecia um cachorro de tão grande!!!
"PROFESSOR JAIRO, POR QUE UM COELHO TÃO GRANDE?"
"Precisa ser adulto para aceitar o adestramento.
"QUE ADESTRAMENTO? ELE SÓ TEM QUE SAIR DA CARTOLA!!!"
Não adiantou nada minha reclamação, afinal só tinha essa Lebre gigante e o horário da Xuxa.
Resultado, desmontei o elevador e ao comando do diretor: AÇÃO! Eu empurrava aquilo que parecia uma perna de carneiro cartola acima. A Xuxa, pobrezinha, tinha quase que esticar o braço todo para o infeliz sair todo da cartola... Por essas e outras que deixei os efeitos e fui para a direção de cena.
"PROFESSOR JAIRO, POR QUE UM COELHO TÃO GRANDE?"
"Precisa ser adulto para aceitar o adestramento.
"QUE ADESTRAMENTO? ELE SÓ TEM QUE SAIR DA CARTOLA!!!"
Não adiantou nada minha reclamação, afinal só tinha essa Lebre gigante e o horário da Xuxa.
Resultado, desmontei o elevador e ao comando do diretor: AÇÃO! Eu empurrava aquilo que parecia uma perna de carneiro cartola acima. A Xuxa, pobrezinha, tinha quase que esticar o braço todo para o infeliz sair todo da cartola... Por essas e outras que deixei os efeitos e fui para a direção de cena.
Comentário infeliz.
Na época eu trabalhava com efeitos especiais e preparei uma traquitana muito engenhosa para minha querida diretora e amiga Paula Trabulsi. Tratava-se de um achocolatado, que seria vendido em embalagem tetrapack (novidade naqueles dias) e a cena que fechava o comercial era de uma embalagem nova ao lado de um copo de milk shake. Da embalagem tetrapack saia um canudinho que entrava no copo do milk shake e "sugava" aos goles o líquido e a cada gole a embalagem estufava e voltava ao formato original, como se estivesse tomando mesmo o milk-shake. Foi preciso fazer a caixinha do achocolatado em latex e o rótulo silkado em tecido de lycra para deformar e voltar ao normal, não tinha computação gráfica naquela época. Embaixo da mesa, no meio de mangueiras, válvulas e fios de nylon eu comandava os movimentos. Depois de muitas hoars de trabalho, o resultado ficou muito bom.
Na apresentação do filme, me disseram que foi um sucesso, todos gostaram. Já estava naquela etapa do tapinha nas costas e despedidas, quando um fulano levanta uma dúvida:
"Pessoal, quando uma embalagem tetrapack estufa, não é quando o líquido está estragado?"
Resultado: Nunca vi no ar o pack-shot em movimento, apenas aquela imagem estática da caixinha ao lado de um copo de milk shake sujo e vazio.
Na apresentação do filme, me disseram que foi um sucesso, todos gostaram. Já estava naquela etapa do tapinha nas costas e despedidas, quando um fulano levanta uma dúvida:
"Pessoal, quando uma embalagem tetrapack estufa, não é quando o líquido está estragado?"
Resultado: Nunca vi no ar o pack-shot em movimento, apenas aquela imagem estática da caixinha ao lado de um copo de milk shake sujo e vazio.
A verdadeira história do tapete.
Essa é a verdadeira história do tapete que presenciei quando eu ainda era muito jovem, já virou folclórica no mercado publicitário. Meu pai, Domingos Utimura, o primeiro técnico de efeitos especiais do Brasil, estava em casa quando ligaram de uma produtora desesperados, pois não conseguiam filmar um comercial para os Tapetes Tabacow. O filme era de um tapete que desenrolava sozinho numa sala, durante o desenrolar, ouvia-se uma locução que descrevia as qualidades deste produto, ao terminar a locução, a câmera revelava que o locutor é que estava enrolado no tapete durante todo o tempo. O grande problema é que ao desenrolar, o tapete deixava ondulações no chão pois o ator, com a ajuda de alguns fios de nylon tentava sem sucesso sair do mesmo. Nessa época nem se sonhava com a computação gráfica. Após muitas tentativas, eles desistiram e chamaram meu pai. Ele foi, viu o problema e disse:
"TEM UM JEITO DE FAZER."
"Como?" Perguntou o produtor e meu pai soltou a frase que marcou aquele episódio:
"FALAR EU NÃO FALO, EU FAÇO."
Após fechar o valor do cachet, dizem as más linguas que sempre era bem salgado, ele deu a solução:
"INCLINEM O CENÁRIO TODO E A CÂMERA TAMBÉM, PARA QUEM FOR VER O FILME, TUDO VAI ESTAR RETO, BASTA SIMPLESMENTE DEIXAR O TAPETE DESENROLAR PELA PRÓPRIA INCLINAÇÃO."
"Genial!" Exclamou o produtor, pode fazer.
"EU FAÇO EFEITOS ESPECIAIS, NÃO SOU CENOTÉCNICO." Foi embora e mandou a nota fiscal do job.
"TEM UM JEITO DE FAZER."
"Como?" Perguntou o produtor e meu pai soltou a frase que marcou aquele episódio:
"FALAR EU NÃO FALO, EU FAÇO."
Após fechar o valor do cachet, dizem as más linguas que sempre era bem salgado, ele deu a solução:
"INCLINEM O CENÁRIO TODO E A CÂMERA TAMBÉM, PARA QUEM FOR VER O FILME, TUDO VAI ESTAR RETO, BASTA SIMPLESMENTE DEIXAR O TAPETE DESENROLAR PELA PRÓPRIA INCLINAÇÃO."
"Genial!" Exclamou o produtor, pode fazer.
"EU FAÇO EFEITOS ESPECIAIS, NÃO SOU CENOTÉCNICO." Foi embora e mandou a nota fiscal do job.
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